Meia Gaiola na apresentação da 17ª Edição do Vinho Invisível da Ervideira [Artigo de Opinião]
Um almoço que fundiu as gastronomias italiana e japonesa, com o vinho Invisível a provar que há coisas boas que não se vêm, sentem-se.
4/1/20262 min read


No dia 1 de abril, o restaurante Este Oeste foi palco de uma experiência que juntou gastronomia e vinho de forma surpreendente.
O convite foi claro: “embarcar numa experiência gastronómica especial que une duas culturas culinárias italiana e japonesa”, tendo como fio condutor a apresentação da 17.ª edição do vinho Invisível.
Logo à chegada, dois protagonistas chamavam a atenção, um velho amigo (direita na foto) e outro acabado de ver pela primeira vez. (esquerda na foto)
O Invisível é um conceito que desperta interesse logo desde o nome.
E depois ainda leva outra camada de suspense com "branco feito a partir de uvas tintas."
E quando pinga no copo, é praticamente transparente.
Está a "magia" armada.
A sorte é que tudo tem explicação.
Vamos lá maltinha.
De forma geral, o sumo das uvas tintas não é tinto, é claro, ou ligeiramente amarelado (excepto em “uvas tintureiras”) e a cor tinta surge quando há contacto com a pele das uvas.
Ao evitar esse contacto, obtém-se um vinho branco com origem nas castas tintas.
É o mesmo princípio do famoso Blanc de Noirs (branco de uvas tintas), muito comum no mundo dos espumantes.
No caso do Invisível, acontece isso mesmo.
A casta escolhida é o Aragonês, uma variedade tinta bem conhecida em Portugal com o resultado a mandar um Pingolê carregadinho de aroma guloso, como quem diz, "Vai, agora prova-me".
As últimas 3 edições do Invisível trazem sinais claros de adaptação às tendências atuais, com a perda de grau alcoólico.
12,5% vol de álcool.
Um teor mais moderado, alinhado com a tendência por vinhos mais leves.
Com isto, temos uma edição com mais acidez, essencial para dar frescura, mantendo a identidade que bem me (acredito nos) habituou.
Foi dito no almoço que o Invisível, "é um vinho versátil" e, prontamente acenei em modo "verdade, mas nunca me tinha debruçado sobre isso".
Refleti e conferi que no meu arquivo já "brilhou" com diversos pratos e, mais que isso,
no exercicio de o provar de olhos fechado, servido a uma temperatura fria, é inequivocamente um branco, mas quando aquece um pouco, na boca, revela-se mais que um branco.
Parece que atinge aquela satisfação de fruta "madurinha quase a caminhar para o rosé" tal não é, a intensidade de sabor.
Em relação ao menu, entre sashimi de lula com caldo de miso, carpaccio de novilho e uma degustação de atum bluefin, até ao reconfortante risotto de cogumelos e o clássico tiramisù, houve um fio condutor, satisfação.
Outro destaque foi a apresentação do primeiro Invisível Brut Nature Imperial 2024 (espumante) com um preço de 18€ (já esgotado na fonte).
O aroma, tem muitos toques do Invisível branco, apesar deste também conter a casta Syrah, para além de Aragonez.
Tendo em conta a ligação natural deste estilo ao conceito de Blanc de Noirs, faz todo o sentido e deixa boas expectativas para mais um tempo em garrafa.
Este almoço no Este Oeste não foi apenas uma apresentação de vinho, foi uma demonstração de como o contexto (comida, ambiente, conceito) pode transformar completamente a forma como o percebemos.
O Invisível continua a afirmar-se como um vinho curioso, eclético e cada vez mais alinhado com o que o consumidor procura hoje. Leveza, frescura, bom aroma e bom sabor.
P.v.p 14€
Agora, se me permitem...
Eu já volto. Vou só abrir outra.
